Os recentes resultados do futebol brasileiro em competições internacionais e em Copas do Mundo não é uma mera coincidência. Muitos clubes vêm enfrentando dificuldades financeiras, com diversos processos trabalhistas e falta de caixa para contratar jogadores e pagar fornecedores. É como se boa parte dos clubes estivesse falida, resultado de administrações desmedidas, pouco profissionais, com receitas penhoradas ou bloqueadas.

O resultado é ainda mais agonizante se sairmos das principais divisões. O Brasil tem 736 clubes e apenas 20 deles disputam a primeira divisão de futebol.

A maioria dos clubes entraram na Justiça com pedidos de recuperação judicial. Como são associações civis sem fins econômicos, já que o clube é obrigado a investir todo o lucro proveniente de transferências, patrocínios, programas de Sócio Torcedor e ingressos no próprio clube, há um empecilho de natureza jurídica,. A recuperação judicial tem por objetivo facilitar o soerguimento de empresas, a manutenção de empregos e auxiliar nas discussões judiciais, que não param de crescer.

Um caso é o Botafogo, que recentemente vendeu um jogador para um clube europeu. Os valores referentes aos direitos jurídicos da venda foram bloqueados para pagar um processo trabalhista que o clube tinha perdido. Detalhe: o processo narra o atraso de salários no ano de 1995.

O Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut) – Lei 13.155/15 – visa a regular alguns aspectos da atividade e estabelecer algumas leis para que o futebol se organize de forma mais sustentável. Os parcelamentos fiscais são uma dessas obrigações, além da possibilidade de se pedir recuperação judicial. Apesar de não visarem lucro, clubes de futebol movimentam muito dinheiro e podem pedir recursos do governo para cumprir com suas obrigações.

Considerando que a atuação dos clubes passou por um forte processo de mercantilização e tornou-se uma lucrativa atividade que gera milhões, os clubes se veem numa obrigação ainda maior: transformar, de fato, sua natureza em sociedades empresária. Assim, eles podem ter a possibilidade jurídica de postular a recuperação judicial de acordo com as leis já em vigor.

Um exemplo é o Red Bull Bragança. No último mês, o antigo Red Bull Brasil, braço no país da gigante de energéticos, comprou o Bragantino e jogará a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. É um dos poucos clubes no regime de sociedade e, portanto, um dos mais organizados.

Casos como esse devem crescer no futebol brasileiro, que se encontra numa bolha que explodirá em algum momento. Organizar a gestão para pensar o presente e o futuro do esporte é a missão dos clubes de futebol, falidos ou não.